Superior do início ao fim, time tricolor vence por 3 a 1, domina os paulistas em todos os setores e deixa a sensação de que o placar foi pequeno diante do que produziu
O Fluminense voltou da Data Fifa com uma atuação de autoridade e amplo domínio sobre o Corinthians no Maracanã. Na noite desta quarta-feira, a equipe comandada por Luis Zubeldía venceu por 3 a 1, mas o resultado final ficou aquém da diferença técnica e tática demonstrada em campo. Muito superior desde os minutos iniciais, o Tricolor controlou a partida, explorou com inteligência as fragilidades do adversário e poderia ter construído uma goleada sem exagero.
A promessa de equilíbrio durou pouco. Bastaram os primeiros movimentos da partida para ficar claro que o Fluminense tinha mais repertório, organização e lucidez. Diante de um Corinthians espaçado, desorganizado e incapaz de proteger os próprios setores, o time carioca encontrou terreno fértil para impor seu jogo e transformar o Maracanã em palco de uma atuação convincente.
Ainda no 11 contra 11, o Fluminense já era absoluto. A equipe soube aproveitar os espaços deixados pela defesa corintiana, especialmente pelos lados do campo e nas costas da linha alta montada por Dorival Júnior. Kevin Serna foi o nome mais incisivo desse cenário. Com velocidade, leitura de jogo e boa capacidade de decisão, o atacante participou diretamente de dois gols e se tornou peça central na construção da vitória.
O primeiro gol nasceu justamente da leitura precisa dessas brechas. Em lançamento de Renê, Serna venceu o duelo individual com Gabriel Paulista, ganhou espaço e avançou com liberdade antes de servir John Kennedy, que completou para as redes. Era o retrato fiel de um Fluminense agressivo, seguro e eficiente diante de um Corinthians que não conseguia se encontrar em campo.
O segundo gol escancarou ainda mais a fragilidade do sistema defensivo paulista. Em uma troca de passes simples, saindo da pressão alta ineficaz do Corinthians, Serna percorreu quase 50 metros com liberdade, invadiu a área e finalizou. A bola bateu na trave, mas sobrou para Hércules, que apareceu bem para ampliar o marcador. O volante, aliás, segue em fase artilheira e chegou ao terceiro gol nos últimos quatro jogos.
Se no primeiro tempo o Corinthians já se mostrava passivo e desconectado entre defesa, meio e ataque, a situação piorou de vez na etapa final. Mesmo com três mudanças promovidas no intervalo, a equipe paulista não conseguiu reagir. E qualquer tentativa de retomada foi enterrada pela expulsão de Allan, que recebeu cartão vermelho após um gesto obsceno — embora o lance também tenha sido cercado por reclamações pela possibilidade de punição por agressão.
Com um jogador a mais, o Fluminense transformou a superioridade em massacre territorial. O time passou a circular a bola com ainda mais liberdade, criou sucessivas oportunidades e só não construiu um placar elástico por conta das defesas do goleiro Kauê e de finalizações que passaram perto da meta. Lucho Acosta, Samuel Xavier, Savarino e Soteldo estiveram entre os jogadores que poderiam ter ampliado a vantagem.
Rodrigo Castillo ainda deixou o dele e consolidou o terceiro gol tricolor, coroando uma noite de ampla superioridade. O gol marcado pelo Corinthians no fim da partida pouco alterou a leitura do confronto. Ao contrário: serviu apenas para mascarar um jogo em que o Fluminense foi muito mais time do começo ao fim.
Além do resultado, a atuação deixou sinais animadores para Zubeldía. Kevin Serna aproveitou bem a oportunidade, Hércules manteve a boa fase, John Kennedy e Rodrigo Castillo marcaram em disputa direta pela posição de centroavante, e Cano voltou a atuar após cinco meses, ampliando as opções ofensivas da equipe.
Com a vitória, o Fluminense reforça sua condição de postulante ao título e ganha confiança para a sequência pesada de compromissos fora de casa. Se repetir o desempenho apresentado diante do Corinthians, o time carioca tem tudo para seguir forte na briga pelas primeiras posições e transformar boas atuações em candidatura real ao topo da temporada.



