Permanência de Jamilson Name e Pedro Caravina no PSDB acirra disputa interna em Campo Grande e abre tensão sobre espaço real para novas candidaturas em 2026.
O PSDB de Mato Grosso do Sul, que há poucos meses enfrentava um cenário de esvaziamento, agora vive o efeito oposto: uma chapa considerada forte demais já provoca desconforto entre vereadores de Campo Grande que pretendiam disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. No centro da tensão estão os deputados estaduais Jamilson Name e Pedro Caravina, que decidiram permanecer no partido para buscar a reeleição, movimento que reduziu o espaço político para nomes da Câmara Municipal que sonham com a Alems.
A insatisfação já apareceu publicamente. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (26), vereadores tucanos passaram a cobrar uma definição mais clara da direção partidária sobre a composição da chapa. O argumento é simples: com deputados já consolidados disputando as mesmas vagas, cresce o temor de que candidaturas da base municipal sirvam apenas para ampliar votos da legenda sem chances reais de eleição.
O vereador Silvio Pitu resumiu o incômodo ao afirmar que não quer entrar na disputa apenas para “ser escada” de outros candidatos. Já Flávio Cabo Almi foi ainda mais direto ao defender que o partido precisa decidir entre Name e Caravina. Do outro lado, Professor Juari adotou tom de defesa da legenda e afirmou que o PSDB mostrou força ao montar uma chapa competitiva.
Jamilson Name reagiu com ironia e recado político. Disse que, caso os vereadores desistam da candidatura, podem apoiar sua campanha à reeleição. A declaração reforçou o clima de disputa interna e evidenciou que, apesar do discurso de portas abertas, a convivência entre atuais deputados e pré-candidatos da Câmara está longe de ser pacífica.
Pedro Caravina, por sua vez, tentou reduzir a temperatura da crise. O deputado avalia que o PSDB tem musculatura para eleger até cinco estaduais e sustenta que a chapa é ampla o suficiente para absorver diferentes projetos políticos. Ainda assim, nos bastidores, o excesso de nomes competitivos já é visto como um problema por parte dos vereadores, que passaram a reavaliar se vale a pena seguir no páreo.
O impasse expõe um paradoxo tucano em Mato Grosso do Sul: o partido que lutava para sobreviver agora precisa administrar a própria superlotação. E, na reta de montagem das candidaturas, a disputa por espaço pode se tornar tão decisiva quanto a eleição em si.



